Uma obra de galpão logístico às margens da Via Dutra parou por três semanas. O aterro recém-compactado apresentava recalques diferenciais de 15 cm. A investigação complementar mostrou que a energia de compactação especificada era incompatível com a areia siltosa da camada superficial, típica dos depósitos aluvionares próximos ao Rio Guandu. Em Nova Iguaçu, a variabilidade dos solos exige um projeto de vibrocompactação específico para cada quadra. O equipamento precisa vencer camadas com resistência à penetração NSPT entre 4 e 12 golpes, comuns na região. A calibração da energia é feita a partir de correlações com o ensaio CPT, que fornece um perfil contínuo da resistência de ponta e do atrito lateral, permitindo ajustar a malha de pontos antes da mobilização do vibrador.
Solo com mais de 15% de finos não responde à vibrocompactação sem um pré-teste com vibrador piloto — ignorar esse limite é a causa de metade das repactuações.
Particularidades da região
Nova Iguaçu cresceu sobre planícies aluvionares do Rio Guandu e seus afluentes. A expansão urbana a partir dos anos 1970 empurrou loteamentos para áreas de antigos brejos, aterrados com material heterogêneo. Esse histórico geotécnico explica por que tantas obras encontram camadas de areia fofa intercaladas com lentes de argila orgânica a profundidades inferiores a 8 metros. O risco de recalque total e diferencial é alto. Um projeto de vibrocompactação mal dimensionado pode deixar bolsões não tratados exatamente nessas lentes. O dano aparece rápido: fissuras em alvenaria, desnivelamento de pisos industriais, ruptura de redes enterradas. O projeto precisa mapear a variabilidade espacial do subsolo com sondagens a cada 20 metros e ajustar a malha de tratamento nos pontos de transição de fácies. Em zonas com nível d'água a menos de 1,5 m de profundidade, o vibrador trabalha submerso e a energia precisa ser majorada em 15%.